Contabilidade do ganho no contexto empresarial e económico actual de Angola
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Contabilidade do ganho no contexto empresarial e económico actual de Angola

Contabilidade do ganho no contexto empresarial e económico actual de Angola

De acordo com várias matérias que de uma forma generalizada abordam este importante tema sobre a contabilidade como ferramenta de gestão no quadro actual dos novos conceitos de gestão empresarial e da economia no geral e muito particularmente no caso de Angola, nesta fase de crescimento económico, em que o tecido empresarial está ainda indefinido e em processo de estruturação, achamos ser de grande importância a análise do desenvolvimento de procedimentos contabilísticos orientados para o Ganho.

É com o propósito de contribuir, com as suas opiniões, sobre a importância da contabilidade, que hoje em dia muitos e importantes estudiosos denominam esta ciência por CONTABILIDADE DO GANHO.

Este artigo contém várias fontes de recolha de dados sobre o assunto, mas nenhuma é citada no corpo do artigo sendo nosso objectivo a sua análise e reflexão crítica no contexto da economia angolana.

A Contabilidade do Ganho (CG) é uma abordagem baseada em princípios de contabilidade e de gestão abrangentes que fornece aos gestores informações de apoio à decisão para a melhoria da rentabilidade da empresa. Embora a CG não seja um assunto tão novo, ainda é inovador para a contabilidade de gestão. Ela identifica os factores que limitam uma organização de atingir o seu objetivo, e, em seguida, concentra-se em medidas simples em áreas-chave para alcançar as metas organizacionais.

A CG foi proposta pelo falecido Eliyahu M. Goldratt (falecido 11 de junho de 2011) como uma alternativa à contabilidade de custos tradicional. Como contabilidade, não é nem contabilidade de custos nem de custeio, porque não aloca todos os custos (despesas fixas e variáveis, incluindo despesas gerais) para produtos e serviços vendidos ou fornecidos por uma empresa. Considera que apenas os custos que variam totalmente com as unidades produzidas (CTV), por exemplo matérias-primas, são alocados aos produtos e serviços que são deduzidos das vendas para determinar o Ganho.

A Contabilidade do Ganho é uma técnica de contabilidade de gestão utilizada como medida de desempenho da teoria das restrições (Contabilísticas). É a inteligência de negócios utilizada para maximizar os lucros.  No entanto, ao contrário da contabilidade de custos que se concentra principalmente em “corte de custos e redução de despesas para aumentar o lucro”, a Contabilidade do Ganho concentra-se  principalmente no aumento do Ganho. Conceitualmente, a Contabilidade do Ganho procura aumentar a velocidade ou taxa na qual o Ganho é gerado por produtos e serviços no que diz respeito à restrição de uma organização, podendo esta restrição ser interna ou externa à organização.

A Contabilidade do Ganho considera apenas restrições como factores limitativos do desempenho das organizações. A contabilidade de gestão é o conjunto interno de técnicas e métodos de uma organização utilizados para maximizar a riqueza dos accionistas. A Contabilidade do Ganho, portanto, faz parte do conjunto de ferramentas que asseguram a eficiência onde é importante, bem como a eficácia global da organização. É uma ferramenta de utilização interna. Terceiros ou governo ainda dependerão de relatórios contabilísticos preparados por Contabilistas, onde se aplicam os Princípios Contabilísticos Geralmente Aceites.

A Contabilidade do Ganho melhora o desempenho do lucro com as melhores decisões de gestão por meio de medidas que refletem mais de perto o efeito das decisões em três importantes variáveis ​​monetárias: Investimento (incluindo Inventário), Ganho e Despesas Operacionais.

1. História

2. Conceitos

3. Relevância

4. Contabilidade do Ganho no contexto Angolano

 

1.      História

Quando a contabilidade de custos foi desenvolvido na década de 1890, o trabalho era a maior fração do custo do produto e podia ser considerado um custo variável. Os trabalhadores muitas vezes não sabiam quantas horas eles iriam trabalhar em uma semana, então levantavam-nas nas manhãs de segunda-feira, porque o tempo de manutenção de sistemas eram rudimentares. Contabilistas de custos, portanto, concentraram-se em medir quão eficientemente eram os gestores de mão de obra, uma vez que era o seu recurso variável mais importante. Agora, no entanto, os trabalhadores quase sempre trabalham 40 horas ou mais; seu custo é fixo e não variável. No entanto, hoje, muitos gestores ainda são avaliados por suas eficiências de trabalho, e muitos “downsizing”, “rightsizing”, e campanhas de redução de outros trabalhadores são baseados neles. Goldratt afirma que, nas condições actuais, decisões que levam em conta a eficiência de trabalho podem prejudicar ao invés de ajudar as organizações.

Detalhadamente os  conceitos  de “rightsizing”,  “downsizing”, são os seguintes:

Rightsizing

O processo de uma empresa de reorganização ou reestruturação de seus negócios, redução de custos, redução da força de trabalho, ou a reorganização de gestão de nível superior. O objetivo é fazer com que a empresa seja moldada corretamente para alcançar o lucro máximo. O termo rightsizing  é frequentemente utilizado por empresas em vez de redução, porque soa menos drástica. “A empresa sentiu que era necessário rightsizing após quatro trimestres de perdas.”  Fonte tradução: Businessdictionary.com.

Downsizing

1. Computing: Adaptação de software baseado em computador mainframe para um desktop ou computador pessoal (PC) arquitetura baseada, sem muitos compromissos na integridade do sistema, segurança e controle.

2. Gestão: redução intencional do tamanho de uma mão de obra em todos os níveis de pessoal, para sobreviver a uma crise, melhorar a eficiência, ou tornar-se um candidato mais atraente para aquisição ou fusão. Usado frequentemente como um eufemismo para despedir indiscriminadamente os funcionários. Veja também racionalização. Fonte tradução: Businessdictionary.com.

A Contabilidade do Ganho, portanto, elimina a dependência da contabilidade de custo-padrão sobre a eficiência em geral, e eficiência do trabalho em particular, da prática de gestão. Muitos contabilistas concordam com a crítica de Goldratt, mas não chegaram a um acordo sobre um substituto deste rateio e há uma enorme inércia entre as pessoas capacitadas para as pôr em acção com as práticas existentes.

2.   Conceitos

 A alternativa de Goldratt começa com a idéia de que cada organização tem um objectivo e que as melhores decisões aumentam o seu valor. O objectivo de uma empresa é facilmente definido:

  • Ganhar dinheiro, hoje e no futuro.
  • A Contabilidade do Ganho aplica-se também a organizações com fins não-lucrativos, mas estas têm que desenvolver um objectivo que faça sentido no seu caso. A Contabilidade do Ganho também dedica especial atenção ao conceito de “gargalo” (referida como restrição na Teoria das Restrições) na fabricação ou processos de manutenção.

A Contabilidade do Ganho usa três medidas de receitas e despesas, como segue abaixo:

  • Ganho (G) é a taxa na qual o sistema produz “unidades de meta”. Quando as unidades de meta são o dinheiro (em empresas com fins lucrativos), o rendimento é vendas líquidas (V) menos custos totalmente variável (CTV), geralmente o custo das matérias-primas (G = V – CTV). Note-se que (G) só existe quando há uma venda do produto ou serviço. Produção de materiais existentes faz parte do Investimento e não do Ganho. O Ganho tem um conceito semelhante ao da margem de contribuição da contabilidade de custos tradicional.
  • Investimento (I) é o dinheiro que está preso no sistema. Isto é, dinheiro associado ás existências, máquinas, edifícios e outros activos e passivos. No início da Teoria das Restrições, o “I” variava entre “inventário” e “investimento”. O termo preferido agora é só “investimento”. Observe que a recomendação é que o inventário seja valorizado estritamente pelo custo totalmente variável associada com a criação do inventário, e não com alocações de custos adicionais e rateios.
  • Despesa Operacional (DO) é o dinheiro que o sistema gasta na geração de “unidades de meta.” Para os produtos físicos, DO são todas as despesas, excepto o custo das matérias-primas. DO inclui manutenção, aluguer e folha de pagamento, depreciação, etc. As organizações que desejam aumentar o alcance de sua meta devem, portanto, exigir que os gestores testem as decisões propostas de acordo com estas três perguntas: Será que a mudança proposta aumenta o Ganho? Como? – Reduz o Investimento? Quanto dinheiro é liberado? – Reduz a Despesa Operacional? Como? As respostas a estas perguntas determinam o efeito das decisões ou mudanças propostas sobre as medidas a nível de sistema: Lucro Líquido (LL) = Ganho – Despesa Operacional. Retorno sobre o investimento (RSI/ROI) = Lucro Líquido / Investimento.

3.   Relevância

Um dos aspectos mais importantes da Contabilidade do Ganho é a relevância da informação que produz. Os gestores actuais precisam de um sistema de informação de gestão que faça a ponte entre as suas decisões e a lucratividade da empresa. Eles precisam de um conjunto de medidas que os ajudem a responder à questão: se tomar esta decisão, o lucro da minha empresa vai aumentar? Hoje, para ajudar a responder a essa pergunta, a maioria das empresas utiliza medidas da contabilidade de custos e medidas de eficiência de máquinas, de equipamentos, custo por unidade, etc. Algumas usam até mesmo um sistema mais sofisticado, o Activity-Based Costing, mas todas essas ferramentas podem levar a decisões equivocadas. A Contabilidade do Ganho, baseada na Teoria das Restrições (TOC), mostra que para se chegar a conhecer as fontes internas de lucros da empresa é preciso compreender a relação entre os recursos (capacidade) da empresa e seus produtos/serviços (mix de venda). É preciso dispor de medidas sistémicas que permitam a visualização da contribuição de cada parte do sistema para a criação do lucro total.

 

4.   Contabilidade do Ganho no contexto Angolano

Conforme referi na introdução deste estudo e vislumbrando a situação actual das empresas em Angola – Públicas, Mistas e Privadas –  na sua grande maioria, o nível organizativo e a regulamentação existente são os principais constrangimentos que se colocam na perspectiva da execução da Contabilidade do Ganho, constituindo-se em principais limitações as seguintes:

4.1  – Ajustar formalmente as empresas em termos organizacionais às leis vigentes, no âmbito da actividade económica e financeira do País. Neste contexto concorrem um conjunto de Leis e entidades reguladoras e fiscalizadoras, cuja interpretação das normas e políticas contabilísticas carecem de mais e melhor regulamentação objectiva e prática, visando os  “Ganhos”, i.e. melhores resultados com base na eficiência técnica contabilística.

4.2  – Este modelo de processamento da contabilidade exige regras claramente adaptáveis à nossa realidade do mercado e de organização das empresas, quer na geração de transacções quer na validade dos documentos de suporte, “ou seja uma contabilidade processada com os pressupostos do princípio da equidade”.

4.3  –  Também nesta matéria importa interpretar e quantificar o impacto da carga tributária no Ganho, o seu impacto na redução de liquidez das empresas, a justiça da liquidação de impostos sobre os Proveitos e não sobre os Ganhos registados pela Contabilidade, exemplo: IC – Imposto de Consumo sobre a factura que não é efectivamente um Ganho/Receita e liquidada aquando da sua emissão; A antecipação do imposto Lei/7 – Sub-empreitadas, por parte das empresas residentes “entenda-se empresas com direcção efectiva e estabelecimento estável em Angola” quanto às não residentes, entenda-se, empresas sem direcção efectiva e sem estabelecimento estável em Angola, somente liquidarem o imposto sobre a receita efectiva, ou seja quando recebem. Poderia destacar outras implicações fiscais que desestimulam actualmente a gestão e a Contabilidade do Ganho.

4.4  – O efeito perverso é as empresas procederem ao contrário reduzindo receitas e aumentando custos, ou seja condicionam a recepção de mais receitas por parte do Estado; Deste modo libertam uma menor  liquidez, meios  que permitem ao sector financeiro fazer uma gestão da carteira de depósitos orientada para o investimento e para a poupança e a introdução de ferramentas financeiras credíveis que estimulem o crédito económico, facilitando uma melhor gestão dos agentes económicos públicos e privados.

4.5  – Também o Capital Humano, tecnicamente preparado para execução com rigor, dos conceitos da Contabilidade do Ganho, implica um grau de preparação, baseados principalmente na correcta interpretação e conhecimento da sua organização, nos fluxos e tratamento da informação, nos sistemas de controlo interno e competência das suas funções.

5 – A adopção das normas internacionais e das boas práticas é um importante objectivo do País nas quais a Contabilidade do Ganho, poderia ser vantajoso para o País, que em nossa opinião carecem uma análise mais realista em matéria do cronograma de execução do conjunto de tarefas e obrigações imputadas às empresas e observassem as limitações reais das mesmas.

A convicção de que se deve repensar o mercado económico e financeiro do País na visão da reorganização das empresas, orientadas para a contabilidade do ganho “Gestão”, implicará também por parte do Estado o desagravamento e simplificação dos Impostos sobre o Rendimento, com o objectivo de incentivar o desempenho e o consumo.

6 – Finalmente, e em geral em Angola, os problemas contabilísticos são condicionados à ideia generalizada de que a execução de procedimentos de fiscalização e auditorias para serem credíveis e válidos devem ser suportados em normas internacionais e “Geralmente Aceites” e não na realidade, práticas e limitações com que as empresas e gestores se debatem. Seria mais proveitoso para as empresas públicas e privadas da parte dos fiscalizadores e auditores, uma actuação educativa, proactiva e de apoio para a melhoria da gestão e dos ganhos destas empresas, o que beneficiaria o Estado, concorrendo ainda para a melhoria global dos profissionais e demais entes públicos e que seriam suportados nos seguintes procedimentos:

– Fiscalização e auditoria com uma orientação clara e objectiva com um período de transição definido:
– Adopção de fiscalização preventiva no quadro das obrigações fiscais;
– Auditorias com procedimentos acordados dentro de um período transitório e que se ajuste de facto às necessidades e à organização das empresas.

Autor: Luís Neves

1 Comentário
  • Mukeba Cleopas
    Publicado a 12:14h, 24 Junho

    Dr. Luis Neves. É certo e estou convencido que os Contabilistas que somos devemos passar sempre por uma actualizaçao de conhecimentos com debates permanentes. Tenho confiança que a sua presença neste ramo é uma mais valia por nós que passamos na sua escola.

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